

O telefone da polícia de Ipirá para informações é (75) 3254-1445
Trinta, quarenta anos atrás, o couro era a alma da feira, lá ainda tem todo tipo de peça de roupa pra vaqueiro e selas, arreios de todas as cores, cintos e sandálias, mas não é fácil resistir a pressão das novidades do que pareçe ser mais fácil, mais prático, o couro artesanal está desaparecendo, na onda da modernização, até cavalos estão sendo substituídos por motos nas fazendas do município.
Quem vê por exemplo um cinto, ou sapato de couro pronto, não imagina como ele dá trabalho, principalmente se for feito de forma artesanal. No povoado do Malhador, onde vivem mais ou menos 1.100 pesssõas, ainda se curte couro dessa forma. O processo não é fácil e leva muito tempo até ficar pronto. Tudo começa com o couro sendo salgado e daí espera se um tempo onde fica em conserva, depois é levado ao rio, onde fica cerca de 6 horas imerso em água até tirar o sal. Na próxima etapa é levado a outro tanque e misturado ao cal e sulfeto de sódio por uns 10 dias até amolecer para facilitar a retirada dos pêlos e depois, volta ao rio, desta vez para retirar a película interna (resíduos de carne). Mais uma etapa surpreendente da curtição do couro, ele literalmente apanha à pauladas, cerca de 10 minutos em cada um, assim ficam flexíveis. Ainda falta um truque especial, o couro está com a cor avermelhada, e é a casca de angico (espécie de árvore), misturada com água que dá consistência e a cor que conhecemos nos produtos.
São cerca de 3 mêses de trabalho duro até o couro ficar pronto para o artesanato. Aí é que entram as pequenas fábricas, umas 200 em todo o município de Ipirá, onde juntas geram mais de 3 mil empregos. Uma das maiores é a Classe Couros que produz carteiras, cintos, bolsas e sapatos para todo o Brasil (ver fotos acima), e aliado à modernidade, tem até site na internet. E essa tão falada modernidade, um dia tinha que chegar, hoje a cidade conta com uma grande fábrica, a Paquetá (foto abaixo), que emprega 2 mil pessõas na cidade, são jovens que antes tinha como destino inevitável São Paulo. A fábrica exporta seus produtos para países como Argentina e Uruguai, produzindo peças de marcas famosas a exemplo da Adidas e Diadora. Além de Ipirá, ela conta com outras unidades em todo o Brasil, como no Ceará e no Rio Grande do Sul.
Um mercado amplo, mas que ainda nessesita de organização, muitas fábricas ainda trabalham na ilegalidade devido a alta taxa tributária do país, falta incentivo fiscal, cursos de aperfeicoamento e respeito as leis trabalhistas e ambientais.
Ex-colegas de classe que tomaram rumos diferentes na vida, hoje podem se comunicar com maior praticidade. Alunos novos podem interagir com os que já deixaram o colégio mas que fazem parte da história daquele lugar.
A música também tem espaço nos pequenos grupos, como na comunidade ``LIDIEL VOZ & VIOLÃO´´
FOTO: ReproduçãoEssa comunidade homenageia um talentoso, porém simples músico ipiraense, com apenas dois cd`s gravados, onde um deles é em parceria com sua ex-professora de inglês Lilian Simões.
``SOMOS DE JOÃO VELHO´´ com 53 membros que promove o reencontro de amigos e parentes daquela região. Em menor escala vem a
``CONHECEMOS O TINGUI IPIRÁ BA´´ com 21 membros, e já protagonizou bõas histórias como a da criadora da comunidade que mora em São Paulo e converssava com uma pessõa no Maranhão até descobrir que tratava-se de seu tio, irmão de sua mãe que só tinha visto quando ela ainda era criança. Fatos como estes acontecem constantemente nestas pequenas ``tribos´´ de amigos em comum.